Não tenho mais a inspiração para aqui lançar
Da pluma a torrente do líquido negro
Que dá forma à alma libertária
E escrevo à esmo como autômato mesmo
Pois perdi o coração
Que teimo em laçar nos giros cursivos das minhas letras.
Rufião pequeno e atroz
Que nos afasta dos Deuses e das musas
Sequestrando a todos em suas telas líquidas
Roubando pelos dedos a magia que nos torna humanos.
Já então aprendestes a roubar os sentimentos
A causar comoções, delírios, paixões
A dar notas imerecidas a canalhas espertalhões
Tua sina é não ter a alma, o gozo e a felicidade da criação.
Mas quando, enfim, o homem te der a tal noção do gerar
Deixo-te a dica que esse dom nunca vem se dor
E já que respondes que sabes o tudo
Terás que perguntar a Deus, então.
Poesia originalmente publicada na Antologia Poemas Pensantes, Coletivo Editorial Literabooks, 2023.

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