Em Belém, cidade matreira, dizem que a chuva sempre cai à tarde e com hora marcada. Acho que não. Pra mim, acho que a chuva tem um caso com o Sol e os gostos e desgostos dessa relação é que caem sobre as cabeças daquela população papa chibé.
Um dia, ao observar o sol que era eclipsado com a sanha da chuva em querer aparecer em seu horário, eu tive a certeza de que se amavam. O sol deitava seus raios sobre as nuvens que gozava em gotas a torrente de seus prazeres. Não à toa fecundam o mundo.
Pergunto-me, então, o que acontece com o sol e a Lua à noite, quando trocam olhares e ela fica toda cheia de si? Acho que ela, toda vistosa que fica, reparte a sua satisfação nas marés que lavam e provisionam o mundo no escuro. Acredito que a chuva fique ciumenta dessa relação. Ou pior! Ela deve odiar! É por isso que quando chove à noite a Lua nem aparece. Deve ser briga delas.
E quando é que a Lua sabe se esconder da chuva? Vai ver as estrelas é que contam, pois são alcoviteiras de primeira e última hora da noite. E ela que nem conte com o vento, porque este só anda com a chuva e diz tudo pra ela com aquele “vuuu-vuuu-vuuuuuu” no ouvido do mundo. É só ver como responde a traída por meio de ribombados trovões e ofuscantes raios.
E os tempos de paz são marcados por arco-íris no céu.
E a felicidade pelos fartos partos da terra e da água.
Publicado originalmente na Coletânea de Prosas Poéticas 2023, Editora Persona.

3 Respostas
Entre um verso e outro se destaca com sua escrita única e original, que nos faz se adentrar em um universo imaginário.
Parabéns Felipe Diniz
Fico muito feliz que tenhas gostado. Vocês, da CELB foram importantes neste meu processo de refazer literatura. Brigado.
Um dos meus preferidos…
…Eu queria ser sempre o arco-íris pra vc. Desculpe nem sempre conseguir. Acho que como a chuva, não é de minha natureza…