O que há em mim?
Pergunto
Para saber
Do peito, assim!
Congesto
Digesto
Gesto
Qual pulsa o cérebro
Cérbero
Pra proteção
Do que pensa o coração
Abrir-me-á o peito
Mesmo sem jeito
Teu dedo em linha
Unha, marca fina
Desperto
Esperto
Perto
Enfim, descortinei-te nua
Oca
Translouca
Sem âmago, vazia e crua
Que visão turva
Ao ver no meu interno
Vazio após o externo
Como a alma tua
Comporta
Importa
Porta
Agora a me julgar
Vazio
Arredio
Sem córtex a pulsar
Coração que pensa
Pecado sem misericórdia
Estória com discórdia
A mim o inferno por sentença.
Publicado originalmente na Antologia Poesias que Habitam em Mim. Coletivo Editorial Literabooks, 2023.

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