Nas minhas Mãos

Comentários recentes

  1. Joaquim da Silva Xavier em Feedback

Embaixo daquele caramanchão, seguramos as mãos ante os rodopios das folhas daquela buganvília que teimava em trepar o céu cruzando seus espinhos e arrefecendo a brasa que queimava nossos rostos. Nossos olhos então entabularam a lembrança daquilo que é o mais recôndito diálogo dos amantes: a conversa muda.

[Apenas o som do vento e das folhas]

— Partes?
— Sim, vou-me.
— Que farei eu, então, sozinha?
— Ainda viverei eu em ti aqui, ainda que campeie na batalha junto à morte.
— Minha alma se esvazia.
— Digas tal tolice! Estou sempre nela.
— Apertas minhas mãos. Tens medo?
— Há medos maiores que o da morte. Tua ausência é o meu maior fantasma. Com ela não serei somente carne a ser abatida pelo inimigo, mas uma sombra a fenecer do sol ao luar.

A chuva se aproxima, encostamos nossas testas e fechamos os olhos encerrando esse diálogo. Nossos dedos se entrelaçam e por eles passamos a nos falar novamente.

[Barulho de vento e folhas. Cheiro de chuva.]

— Agora o aperto é teu. Volto. Juro!
— Cerro com força tuas mãos para guardar em mim esta sensação da tua presença.
— Então, levarei comigo a impressão da força que têm tuas mãos.
— Não me deixes, por favor!
— É tarde. Devo ir.
— Adeus!

A chuva cai com força desfazendo a amada imagem na única fotografia apertada com força nas mãos e de encontro àquele coração pra sempre trincado cujo amor se foi num campo de batalha.

Ainda não há respostas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *