As sombras percebo…
… vejo
Espelho baço
Reflete
Minhas formas
e meus contextos
Esse mundo teu
por onde a água cai
lavam-me os olhos
Sinto abraços…
… embaraçados
Cabos de aços
Traçam
Meus braços
em simples espaços
Que veem doçura
no calor do limpo vítreo
que não me afoga
Encruado coração…
… cinza
Qual pálidas tintas
Coram
Minha face,
minha cara descorada
Tal cheiro de chuva
tece odor de terra
dizem os respingos
Manto negro…
… escuro
Desse quarto
Aguardo
Minhas mortes
dessas falsas multiplicidades
Água que corrói
as rochas duras do mundo
apenas sorvemos
Vapores fugidios…
…vazios
Figuras em éter
Guias
Sublimados fantasmas
Derrama então
nos olhos caliginosos
a água que cura
Enfim
Só as sombras
Em cristais de infinitos reflexos
Dos meus egos, meus perfis
Que minha míope visão alcança
Que percebo… aceito por melhor dizer
A fatal conjuntura de ter sido sempre cego e vazio.

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