Morte no Fogo

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  1. Joaquim da Silva Xavier em Feedback

Cordel

Devagar a chuva para
O sapo cala e só olha
O vento quente ‘sinala
É fogo que se renova
O Brasil vira fornalha
Até o ar se reprova

Acabou-se com o rio
Secou-se todo lago
Cururu tá sumido
Jacaré já foi queimado
Tuiuiú se foi sentido
Nem calango foi achado

Sinhô Deus, mas que desgraça!
A cor fica que só cinza
É planta e bicho em massa
Quem não corre dá na pinta
Bobeia e o fogo arrasa
Fica a fuça retinta

A Natureza se vai
Pra ela não tem reparo
Cada ser vivo que cai
Ai, Jesus, como sai caro!
Fico sem mãe e sem pai
Só me sobra o amargo

Penso só nos encantados
O saci e a iara
E o boto assanhado
Que sem água pra igara
Fica o homem danado
Sem achar o bicho safado

Sem a mata, sem encanto
O tambor largado mudo
Choram os entes em pranto
Terreiro vazio é luto
E silencia todo canto

Leste, oeste, sul, norte
Todo lado sem saída
A chama canta a morte
É de tamanha ferida
Não sobra bravo nem forte
Nessa arte homicida

E se do homem foi obra
Trazer fogo do inferno
Do capeta mão-de-obra
Com pecados no caderno
Pra queimar o que sobra
Zangando o Pai Eterno

Os brigadistas valentes
Dão combate no fogo
É pra eles esse repente
Todos heróis neste jogo
Quem salva o meio ambiente
Salva o planeta da gente.

Publicado originalmente na 6ª Edição da Revista Literabooks Música & Literatura, 2024.

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