Saudades para mim
A única mensuração válida do amar
O contra verso do esquecer, do odiar
Saudades para mim
São o cerebral na alma a manifestar
Transcorrido em querer-impulso de lembrar
Tenho saudades
Do valioso ciclo florescer-fenecer
Das flores, vivas cores, em cinzas renascer
Tenho saudades
Da infância minha a sempre crescer
Tão rápido que é como o tempo a se perder
Meu saudosismo
É o passado vivenciado
com amores impossíveis
É a viagem ao tempo
das possibilidades negadas
Meu saudosismo
É o agridoce sabor
na ponta da língua
Mas que desce
pela garganta em amargor
Soidade ou soudade
Saíam da minha boca infante
as velhas palavras para futuras dores
Fluíam à cusparada infame
resguardado da memória quaisquer horrores
Soidade ou soudade
Tanto faz na meninice
pois o sal futuro será jogado em milhas
Pelo solo fértil da criancice
para só se criar, pois, as memórias escolhidas
A morte da saudade
dá medo, sim
é um perecer real
da negação da memória
e da aniquilação da lembrança
Antes a saudade que me mate, por fim.
Poesia originalmente publicada na Antologia Saudades: Memórias e Emoções. Coletivo Editorial Literabooks, 2024.

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