Fantasmas existem?
Nunca acreditei em fantasmas. Acho que é porque eu nunca vi um e o que eu não vejo, não sinto nada e nem penso a respeito.
A única assombração que tenho é o meu vizinho novo que aparece todos os dias às sete da noite para papear.
Numa dessas visitas me perguntou: — acredita em fantasmas?
Eu respondi que não.
— Lá em casa tem um. Gostaria de ir vê-lo agora?
— Não sei, acho que não.
— Ora, vamos. No mínimo, você me esclarece se é fantasma ou não. Preciso de alguém que não acredite nessas coisas.
Olhei pra ele e fiquei pensando: “É, vai que resolvo o mistério e ele para de vir aqui.”
— Tá bom, vizinho, tá bom! — Vamos lá agora que é pra resolver o fato.
Meu vizinho levantou-se numa animação que eu nunca tinha visto. Mal me virei para calçar as chinelas e ele já estava no portão. Achei que o que ele tinha era muito, muito medo mesmo do tal fantasma.
Chegando na casa dele, que era igual a minha só que com uma aparência de muito mais velha e desleixada, passamos da sala direto à ‘moradia’ do fantasma que ficava numa parte mais baixa e atrás da residência.
— Você vai ver, vizinho. É aqui que ele aparece.
Era um cômodo frio e escuro. A luz vinha de uma lâmpada na porta que dava pros fundos da casa. Havia duas poltronas e ele indicou uma pra eu sentar e ficou sentado na outra, frente a frente.
— Ah, vai ser logo. Assim que der umas dez horas.
Olhei no relógio e comecei a ficar um pouco ansioso: nove e trinta, nove e quarenta, dez para as dez, cinco para as dez, um minuto para as dez.
— Dez horas! Falei e olhando pra ele, perguntei: — Cadê o fantasma?
Ele sorriu pra mim e lentamente desapareceu. Que medo!

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