I
Contaram-me, quando pequeno, que as grutas nasciam do vazio coração dos deuses
que deitavam o peito pelas terras e só pulsavam novamente
se preenchidas pelo amor dos homens.
Eis o trato,
pacto
do amor dos homens como o verde de suas terras, do seu esforço
Que com o amarelo das forças vitais da divina Terra
haveria o azul nos corações pétreos
a preencher,
encher
de água, o elemento corrosivo que paradoxalmente nos alimenta.
Entrar nela re-energiza mesmo retalhando-me a pele,
superfície desmedida daquele azul
profundo,
fundo
para sair da gruta e me sobrepor ao solo da planície trabalhada.
Mato sai onde os grãos comem o que traça a gente.
Passo pasto, replantação da própria terra
transformada,
formada
na vista para melhor ver o firmamento e aclarar-me da negritude do céu.
Tarde da noite a só restar o piar piedoso de corujas no Mato
Grosso modo companheiras nessa solitária
estadia,
tardia.
Então, o sol aflui portando a luz que devora a escuridão e alimenta as sombras
tal luminoso rio que se desnivela pelas formas dos jaburus
que, por fim, batem os bicos em papos silenciosos
desencantam e…
… cantam.
II
Ao perceber isso tudo, vejo-me naturalmente aquém dessa Natureza
Por pouco conhecê-la me parece até ser preternatural
Acho que só vemos o rei pelado quando sabemos o que nele despir
Espelho da gente, o nosso nu nos apraz
Cabe a ação por tal passarinho que pequenino canta e desafia o Sol
Ganham sempre ambos, o serzinho e o astro
Se desbaste, desmate, destronco e des- qualquer coisa
Há replante, reflorestamento, repovoamento e o re- qualquer coisa também
Ficar no equilíbrio da gangorra é o objetivo do brinquedo e da vida
E se prover de tudo sem matar nada um sonho… ainda.
III
Matos e sertão
Tristeza caipira
Amor ribeirão
Olhar da cobra
Rastro serpentina
Mar que desdobra
Nas poesias
Femininas d’Arlinda
Saudosas rimas
Nos ouvidos meus
Da boca repentina
Fica meu adeus

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