Na Primavera
O Amor é ato, algo autônomo
Ele existe sem permissão
Tudo que ama lá existe
Consistentes
Aos elementos
Da estação obedientes
Na Primavera
Há também a solidão
Prima, parente do inverno
Que não se apaga de pronto
Mas que se vai lento
Ao irradiar do sol
Em colorido firmamento
Na Primavera
Contém também um quê de tristeza
Quando as flores e cores apontam
A partida dos amores idos
Da gente suprimida
Dessa saudade que se alimenta
Da beleza da vida ressurgida
Na Primavera
Ah, a felicidade, ela não nasce
Ela brota
É preciso saber reconhecê-la
Para colher
Não é flor, é tudo em multicor
Pega-se nos olhos… é só saber
Na Primavera
A paixão escondida
Explode o implodido do inverno
Peitos abrem-se como lírios
Corações rebentam como abelhas
A gozar do mel em pétalas
Quando o amor asperge centelhas
Na Primavera
Todas as viagens me são permitidas
Chapado, drogado, dopado, sedado
Nas sendas do puro ar primaveril
Dando barato a correr pela veia
Sem uma contraindicação
Primavera, uma estação perfeita.

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