E os mortos andam?
— Eu moro num lugar muito especial. No entorno de um cemitério grande, chamado Santa Izabel, no centro de Belém, num bairro chamado Guamá.
— Venho de uma família de médiuns, onde todos têm o dom da clarividência e da clariaudiência, ou seja, vemos e ouvimos os mortos.
— O engraçado é que isso é comum onde vivo e sempre foi atribuído ao cemitério. Muitas almas soltas para muitos corpos presos na madeira e no cimento. Logo, as famílias daqui sempre são procuradas pelos parentes e amigos dos falecidos tão logo o caixão baixe a sepultura ou adentre a gaveta. Temos, assim, uma cultura mística de amparo aos vivos pelo contato com os mortos.
— Contatos estes, diga-se de passagem, são constantes, quase o dia inteiro, sendo necessárias certas dicas e macetes para que não se confunda o espírito de um morto com uma pessoa de carne e osso na tua frente.
— Acontece que nem todos aceitam esses dons com facilidade e acabam, muitas das vezes, fugindo daqui ou até mesmo enlouquecendo. Uma das piores coisas é que se morre muito cedo quando se pratica esse dom. Nem se chega muito aos 40 anos e se vai. Diz-se por aqui que é a paga pelo uso indevido do que Deus deu. Não sei, muito estranho.
E foi assim, simples e direto, que se apresentou o José – “seu Zé” na comunidade em que mora – enquanto eu estava estudando esses casos de vidência num bairro próximo do meu, pois achei que seria interessante uma abordagem do aspecto místico dos atendimentos pela comunidade do entorno do Santa Izabel para um dos cursos da faculdade de antropologia. Era perto, era mais barato e mais simples.
Assim eu pensava.
A ideia era ver como uma casa dessas funcionava e verificar os padrões de fenômenos e de atendimentos nas demais, procurando uma causa e apresentando um perfil daquela comunidade. Logo, ficar um tempo para estudar o cotidiano de tais moradores especiais e, se possível, assistir tais manifestações, era muito importante e como consegui na casa do seu Zé, que aliás, foi o único a me aceitar, podia começar o estudo.
Passou-se uma semana na qual eu pude ver o seu Zé iniciando o atendimento à tardinha para poucas pessoas. Ele diz que já é incomodado pelos mortos durante o dia e que se fizesse mais sessões do que as poucas para a noite, ia ficar doido. Ele mesmo me disse:
— O mais grave problema desse dom é o fato de os espíritos não respeitarem o seu descanso. Eles aparecem e nem sempre são bonitos como dizem e falam: “— Precisa nos ouvir, não temos o teu descanso do lado de cá.” Agora, imagine, dotô, um ser verde ‘empretando’, com as carnes caindo, olhos afundados e um cheiro horrível na cabeça da tua rede. Daí, boto este fone de ouvido – balançou um fone auricular na minha frente – ligado ao meu celular e um travesseiro na cara. Ainda fico sentindo os esbarrões na minha rede, mas nem ligo mais. Atendimento? Só até a noitinha.
E continuou:
— O seu Marcos, da casa 15, ali virando logo pelo cemitério pra cima da Av. José Bonifácio ficou doidinho de pedra e tá no Hospital das Clínicas até hoje. É o que meu pai dizia e é o que sei, dotô, pra tudo tem que ter ciência e paciência. Assim como os mortos parecem ter o que fazer, nós, os vivos, temos nossa vida. Aquele lá ficou atendendo dia inteiro, deu no que deu!
Bom, a primeira sessão que vi foi assim:
Fomos para um quarto que sempre permanece fechado nos fundos da casa, ligado à frente por um estreito corredor de cimento junto à parede da casa vizinha. Uma porta estreita de madeira, de cor vinho, permite o acesso ao interior. Lá dentro, um banquinho de madeira, bem rústico, guardava o centro da sala, tendo um outro banquinho semelhante à sua frente. Atrás, um oratório aberto, também em madeira, guarnecia vários santos e santas de devoção popular, como a Nossa Senhora de Nazaré e São Jorge. Algumas velas de cores brancas e vermelhas estavam dispostas ao pé dessa capelinha esculpida com singeleza, mas bela.
Seu Zé não olhou mais pra mim assim que trespassou a porta, ficou de frente ao oratório e começou uma série de orações: algumas católicas, outras populares e uma feita ali no momento, pelo aguardo do trabalho santo da noite. Sentou-se no banquinho e esperou. Enquanto isso, não parava de dizer, em voz baixa, certo queixume a quem só ele ali enxergava: ‘— Passa! Sai! Procure Deus! Teu lugar não é mais aqui!’. Eu me inquietava, pois estava ficando escuro e ficar numa sala com alguém dizendo que espíritos ali estavam e precisavam ser contidos me dava arrepios na espinha. Juro que me esforçava, mas nada via nas sombras do local.
Entrou uma mulher chorosa, com as mãos entrelaçadas como uma pessoa suplicante. Ela entrou, de forma bem hesitante, olhando com olhos arregalados ao redor e o seu Zé, quebrando o silêncio da saleta, disse: — É dona Maria, né?! Entre, entre e se sente aqui. — apontou o outro banco de madeira. E continuou: — É de seu marido que a senhora quer saber, certo?! E qual era o nome dele? — Raimundo Mário de Colares — respondeu a mulher. — A senhora trouxe uma foto recente dele como pedi? — Sim, aqui está. — A mulher deu-lhe a foto para a qual seu Zé ficou olhando um tempo.
Então, Seu Zé fechou os olhos e pareceu se concentrar com muita força. Movimentava a cabeça de um lado para o outro como se tentasse captar algum som. Ficou nesse movimento certo tempo. E quando o silêncio imperava na sala e aquele jogo de corpo foi se intensificando, cada vez mais forte e mais forte, subitamente seu Zé ficou rijo e abriu os olhos como se tivesse acordado de um sono e declarou em voz alta e grave: — Seu marido aqui está, sim. Posso vê-lo, atrás da senhora e com as mãos em seus ombros.
A mulher deu um pinote, olhando para trás desesperadamente a procura de qualquer sinal do falecido marido, mas não vendo e nem sentindo nada, ela se voltou para o seu Zé perguntando em tom de súplica: — Como ele está, seu Zé? Como ele tá?
Seu Zé olhou naquela direção um tempo e respondeu: — Ele está bem e manda dizer que sente saudades. Ele está como na foto. — ao que a viúva contrapôs: — Impossível! Ele foi esmagado no trabalho!. Ao que seu Zé respondeu: — Do outro lado, eles se apresentam como querem ou como for melhor para reconhecê-lo.
Do meu canto, comecei a me incomodar com certo odor estranho, podre e doce ao mesmo tempo. Algo ligeiramente azedo. Como carne em conserva, mas estragada. Comecei a ter meu estômago revirado, pois comecei a me perguntar que bicho podre teria liberado justo naquele momento gases. Tentei ignorar, mas era muito forte ao ponto de não me deixar concentrar direito no resto do atendimento.
Quando a consulente saiu, seu Zé levantou, voltou-se ao oratório atrás de sua cadeira, fez mais algumas orações e apagou as velas. Parecia cansado, mas bem. Virou-se para mim e disse:
— Dotô, saia da sombra. Já acabamos.
— É só uma cliente por noite? — perguntei.
— Sim, apesar de ter gente aí que faz mais de duas, até três sessões, mas eu não faço assim.
— E por que?
— Porque quem se foi tem muito o que falar para quem ficou, além do mais, cê tem que trabalhar o visual deles. Ninguém quer saber do parente da forma que eu os vejo: verdes e pretos, caindo e se desfazendo em líquidos. É bem nojento, mais fácil falar que eles estão arrumados como nas fotos do que o sofrimento pelo que estão passando.
— Entendi e faz até sentido.
— Isso sem falar no cheiro que eles emanam. Meu Deus, é horrível! É azedo, doce e podre ao mesmo tempo.
Aí, estaquei.
***
Passei a noite pensando se o que eu tinha percebido de cheiro naquela sessão foi a mesma coisa que seu Zé sentia. Meu lado racional dizia que não, que foi uma coincidência e que o cheiro de carne podre era provavelmente de algum rato que havia acabado de liberar os gases e o próprio seu Zé disse que sentiu aquele odor. Porém, meu lado emocional ficou bastante abalado com a possibilidade de ser um cheiro de fantasma, ou algo assim. Afinal, a moça não pareceu sentir nada e, além do mais, com certeza reclamaria do cheiro.
Na segunda noite a sessão que se seguiu foi semelhante à primeira. As perguntas feitas pelas pessoas aos mortos eram feitas pelo seu Zé que sempre mirava o vazio e devolvia as respostas. Algumas precisas, outras nem tanto. Comecei a perceber respostas vagas para assuntos muito específicos. Quando comecei a duvidar dos poderes de seu Zé, uma onda de cheiro putrefato me atingiu em cheio e tive que sair do recinto para vomitar. Foi quando seu Zé gritou: — Chegou perto demais, meu filho, mas já disse pra ele se afastar! E, de fato, o cheiro diminuiu muito.
À noite após o jantar, fiz as perguntas relacionadas às pesquisas, mas que versavam muito mais sobre ele e aquele trabalho, o que incluía indagar sobre a natureza das perguntas e acerca das pessoas que as faziam.
Fui tomar um banho para quebrar a quentura de Belém. No banheiro único, a água fresca e fria do poço artesiano que servia a casa estava uma delícia. Enquanto me enxugava, tive a impressão de ter visto uma sombra à porta do banheiro. Achei que o seu Zé quisesse algo e perguntei o que era. Porém, uma voz distante ressoou respondendo que ele estava na rede do lado de fora e que era só eu na casa.
Bom, achei ter visto coisas, andei até o pequeno espelho, que era pequeno mesmo, para me pentear, quando senti aquele cheiro pavoroso, uma queimação me subiu do estômago até a garganta e quando achei que ia vomitar novamente, alguém estava atrás do espelho. Os dentes soltos e pendentes de uma gengiva preta e lábios carcomidos, a pele verde-amarronzada e preta, os olhos vazios e um arremedo escaveirado com cabelos que pendiam em tufos pretos.
Dei um grito, senti a minha garganta apertar, o meu coração disparou e o ar desapareceu do mundo. Senti um frio no lado do rosto. Estava no chão. Desmaiei.
Acordei com o seu Zé me colocando sentado com as costas na parede do banheiro. Ele pegou uma vasilha de álcool e fez eu cheirar. Aquilo me deu mais enjoo e afastei o frasco. Ele disse que assim que eu ficasse melhor era pra eu ir falar com ele na sala.
Quando cheguei na sala, ele riu meio de lado e perguntou se eu tinha visto um rato, porque pelo grito ou era rato ou assombração e como esta última já tem demais na casa dele…
— Não. Não foi rato. Foi um cadáver. Acho que estou impressionado com o seu trabalho. Dei pra sentir cheiro de podre e ver gente morta. Só pode!
Seu Zé colocou as mãos gentilmente em meu ombro e disse:
— Meu filho, é este lugar. Ele é diferente. Aqui, quem tem o dom, essa nossa área faz aflorar. É o que quero te dizer. Você tem o dom. Agora tem que decidir se trabalha essa sua mediunidade ou não.
Incrédulo, fiquei observando o sorriso do seu Zé.
Não dormi direito. Estava muito pilhado com o acontecido e achava o tempo todo que ouvia ruídos pelo quarto: passos, arranhões, esbarrões na minha rede e aquele cheiro. Acabei dormindo considerando tudo aquilo obra da imaginação.
E o terceiro dia de trabalho transcorreu como o anterior, com a diferença que agora eu sentia o cheiro e via os mortos. De aparência tão repugnante quanto possível: homens, mulheres, crianças, jovens ou velhos.
Comecei a passar mal com a frequência com que eu via tais aparições, assombrações ou visagens, como se fala por estas bandas. Tive um indício do porquê as pessoas morrem cedo por aqui. Há alguma pestilência nas áreas deste entorno de cemitério que mata só algumas pessoas, aquelas com o dom de ver e ouvir os mortos.
Seu Zé me disse que logo, logo, eu me acostumaria com este mal-estar. Foi assim com ele: — Depois, ó, você fica normal com essas coisas. Só te acostumar!
Depois de terminar meu relatório do quarto dia, a noite transcorreu comigo enjoando o tempo todo e as visões dos mortos e seu cheiro a andar pelo meu quarto, pela casa, arranhando coisas, esbarrando na rede. Por mais que eu me cobrisse todo e tentasse evitar perceber o que me acontecia, o cheiro sempre me trazia o presente daquilo que era tudo, menos natural.
Finalmente, perdi a paciência e falei alto pra eles e pra mim mesmo: — Não quero isso, vou dormir. Vão embora!
Então, eles falaram.
***
No começo, um morto que ficou parado de frente pra mim arreganhou a bocarra e parecia uma porta de metal, daquelas velhas e enferrujadas, rangendo, seguido de uma voz abafada, mais ar do que som e novamente o rangido. Soava, mais ou menos, assim:
— iaAAA___Uuaaa!
Ouvi mais duas vezes, enquanto outros mortos começaram a fazer o mesmo som, variando as vozes. Não compreendia o que diziam.
Na manhã seguinte, perguntei para o seu Zé, que por sinal me pareceu bem abatido, o que eram aqueles sons que os mortos soltavam.
— Ah, nem escuto mais. Eu acho que eles sempre pedem água, pois ninguém lhes rega mais os vasos no cemitério e olha que chove bastante aqui.
— E o senhor nunca foi atrás para saber? De repente, isso resolve a questão e eles podem voltar a descansar.
— E perder meu ganha-pão? Tás doido, é?! — ele falou levantando-se bruscamente e logo arriou no banco, muito cansado.
Após recuperar o fôlego e tomar água, disse:
— Vou ao médico do posto agora. Hoje, não teremos trabalho. Acho que vou precisar descansar. — virou-se e foi pra porta.
Aproveitei o dia, então, para alimentar meu pequeno banco de dados. A tarde caiu e com elas, os mortos começaram a aparecer, a andar e, agora, a falar. Eu resolvi, meio que achando ser loucura minha, oferecer um copo de água para os que mais se aproximavam. Não surtia qualquer efeito. Tentei as orações que vi com seu Zé e nada.
Com a noite chegando e nada do seu Zé, parecia que a casa havia ganhado vida própria. Eram tantos mortos, tão diversos e todos fazendo aquele pedido sem que eu entendesse. Havia crianças rotas, sem olhos, que mostravam os dentes cerrados como que costurado por dentro. As mulheres, com seios comidos dos quais desprendiam vermes e homens cujo rastro de sujeira dava mais nojo de olhar que de sentir o cheiro. O odor. Meu Deus, aquele odor, eu não conseguia respirar e comecei a ficar tonto. Rodopiavam os mortos. Era tão entranhado, tão próximo, que me sentia num caixão sensorial. Pedi a Deus pelo fim.
Apaguei.
Morri?
Acordei numa sala de uma luminosidade cegante, estava deitado. Pessoas muito limpas e com aparência saudável olhavam sorrindo para mim. Ouvia barulhos baixos de equipamentos eletrônicos que sei que já tinha escutado em algum lugar.
Uma pessoa de aspecto mais severo se aproximou de onde eu estava e disse muito sobriamente: — Ele está em choque. Não sabemos ainda o quanto ele vai lembrar. Bom, está melhor que os mortos! — e rindo saiu.
Enquanto todos me olhavam em silêncio, tentei entender o que o médico falava. Eu me esforçava e algumas imagens começaram a surgir. Pessoas mortas, mortas e que falavam comigo. E agora estavam ali na minha frente. Meu Deus, achei que tinha morrido mesmo! Quis sair dali, tinha minha vida, minhas filhas, comecei a me livrar do que me prendia à cama, mas me seguraram e uma pessoa com uma agulha aplicou algo e dormi.
Acordei ainda levemente sedado e após comer uma comida frugal, uma pessoa, que pela primeira vez não me era totalmente estranha, veio conversar.
— Olá. Lembra de mim?
— Na verdade, acho algo familiar em você. — respondi.
— Familiar é bom. — replicou.
— Doutor, sou seu aluno. Nosso projeto teve que ser finalizado antes do esperado. Houve um grande risco e você quase morreu.
Após algum tempo, minhas memórias foram voltando e o relato descrito acima pôde ser apreciado pelo meu aluno e eu compreendi que, na minha ganância por provar minha teoria, eu quase paguei com a própria vida.
Ao estudar a história do cemitério de Santa Izabel do Guamá, tínhamos observado um padrão de fatalidade muito estranho. Sempre nas mesmas casas e em pouco tempo. Casas essas que ficaram abandonadas.
Eu desenhei um projeto de imersão, em que eu ficaria uma semana em uma das casas para estudar a parte ambiental da casa e procurar perceber se havia algum fator relacionado ao meio ambiente que pudesse ter a ver com as mortes.
Eu perguntei pelo seu Zé, mas ninguém soube me responder. O único José relacionado àquela casa tinha morrido há mais de cinco anos. Perguntei pelas pessoas que ali entravam e a equipe de rua nunca viu ninguém entrar ou sair. O que foi notado é que eu ocasionalmente andava fora da casa, mas sempre parecendo muito distraído. Como a ordem que eu dera era de não me incomodarem, conforme o estudo, assim o fizeram.
Pedi para verificarem na casa ao lado se as pessoas ouviam os barulhos, mas disseram que só ouviam a minha voz, pedindo por água.
Água, água. Era isso! Lembrei que todas as casas onde houve falecimentos eram casas abastecidas por poços artesianos rasos e que desconfiávamos que as pessoas que morreram não procuravam ajuda por algum problema, era porque estavam alucinando.
Agora, tudo fazia sentido: o chorume da decomposição dos mortos, rico em nitrito e nitratos e amônia está se infiltrando nas águas subterrâneas que abastecem os poços, o que causava alucinações e estava relacionado fortemente à certos tipos de cânceres muito agressivos. As pessoas bebiam e se banhavam com o necrochorume do cemitério! Restos de mortos liquefeitos e absorvidos.
Eu estava alucinando, mas ainda sim tentava resolver lá dentro da casa. Os mortos apontavam a água. Era a água. Eu alucinei assim que entrei, assim que criei o seu Zé.
Pensei em todos os cemitérios do país que estão em centros urbanos. Meu Deus, são tantos! São tantos!
E de um estalo, pensei: “Eu bebi disso! Eu me banhei com isso! Agora isso faz parte de mim.” Um sentimento de horror e repulsa de mim mesmo me tomou conta. Uma náusea absurda me atingiu. Como alguém poderia experimentar tal medo?
Logo entrou o médico, que me disse um monte de coisas, a maioria das quais sequer captei pelo choque da minha descoberta – “bebi e tomei água de cadáver”, mas olhei pra ele quando parou de falar e disse: — Pois é, você está com câncer.
Então, da alucinação à realidade: Os mortos andam comigo!
Publicado originalmente na Antologia Cidades do Medo, Contos Apavorantes, do Coletivo Editorial Literabooks, 2022.
Conheça a trilha sonora da banda Warm Gadget para este conto aqui, Warm Gadget Band e Rafael Melo Project, 2023.

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