Meu modorrento ser
Parvo, estúpido, azucrinado
Só se ergue das lamas e deixa as sombras
Ao primeiro canto primaveril trinado
O verde rasteja em lugar dos vermes
Tolhendo-lhes os campos em lama
Apontando aos céus os pedúnculos
A desafiar o sol, cobertura que inflama
Dali, as armas são apresentadas
Cintilando matizes e sombras as cores
Apontam às nuvens desafiadas a passar
A resga de luz que lhes fazem amor as flores
O vento, então, amante envolvente
Baila com as árvores ao som gorgolejante
Das fontes clareadas pelo inverno
Que não faz falta no agora e em diante
Então que o cinza vaze, mas
não desejo da primavera só as cores e flores
Para amar tão amplo e intensamente
Desejo-a, sim, em todos os meus amores
A primavera é um beijo gostoso
Daquele que mexe com a gente
Tolo não sentir isso
É corpo infeliz e alma incompetente.

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